quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Abigail: Senhora das circunstâncias


Mulher inteligente e bonita mas, infelizmente, se casou com um homem egoísta, míope e mesquinho: Nabal – descendente de Calebe, em nada semelhante a seu antepassado estimado. Nabal pode ter sido rico, mas seu nome ou apelido, que significa “bobo” ou “tolo,” refletia com precisão seu caráter.

No tempo de Abigail e Nabal, os casamentos eram pré-arranjados, e então, Abigail certamente não teve escolha a esse respeito. As circunstâncias pareciam falar contra ela em um casamento como esse. As condições não eram favoráveis, mas, no vislumbre que temos da vida de Abigail, somos encorajados a não nos tornar vítimas das circunstâncias.

Abigail não tentou escapar à realidade. Era realista sobre sua situação (1 Sm 25:25), mas não permitiu que as circunstâncias a arruinassem. Decidiu crescer onde havia sido plantada.

Alguém que ouça

A maioria das pessoas não tem problemas em falar. Para dizer a verdade, a maioria de nós fala demais. Com seria melhor se aprendêssemos a ser bons ouvintes! E como é importante ouvir!

Como as Escrituras destacam a necessidade de ouvir? Is 28:23; Mt 15:10; Tg 1:19

Davi e seus homens estavam fugindo de Saul. Enquanto se refugiaram no deserto de Parã, eles se encontraram com os pastores e os animais do rico proprietário Nabal. Em vez de se aproveitarem dos animais, Davi e seus homens protegeram os pastores e animais. Finalmente, chegou o tempo da tosquia das ovelhas, e havia um espírito festivo no ar. Essa era uma ocasião de gratidão e oferecimento de presentes. Sabendo disso, Davi enviou dez de seus homens para pedir provisões.

Por que Davi ficou tão ofendido pela resposta de Nabal? O que Davi entendeu? 1Sm 25:1-11

Nabal estava verdadeiramente confirmando o significado de seu nome. Ele chamou os homens de Davi de escravos fugitivos e os enviou de mãos vazias. Nabal deixou muito claro que pensava ser Davi um ninguém. Em sua mente, Davi era tão insignificante que não valia a pena perguntar de onde vinha nem o que fazia. Embora Davi demonstrasse surpreendente domínio próprio com o assassino rei Saul, à nossa semelhança, ele se sentiu profundamente ferido quando lhe foi dito que ele não era ninguém e não valia nada. Tudo isso foi agravado pelo fato de que ele havia mostrado generosidade e estava sendo recompensado com insultos e humilhação.

Nabal ignorava totalmente com quem estava lidando. Aparentemente, ele conhecia alguns dos fatos. Sabia quem era o pai de Davi e que Davi estava fugindo de Saul, mas era tão egoísta e convencido que não foi capaz ou não estava disposto a ouvir seus servos. Os servos de Nabal tinham vivido próximos aos homens de Davi e sabiam que eram uma força de batalha com que podiam contar. Os servos reconheceram que seu senhor era “um homem tão mau que ninguém [conseguia] conversar com ele” (1 Sm 25:17, NVI). Então, buscaram alguém que os ouviria – Abigail.

Quando foi a última vez em que sua falta de ouvir atentamente o colocou em dificuldades? Como você pode aprender de seus erros?

Ações falam mais alto que palavras

Depois de ter ouvido o relatório do servo, Abigail imediatamente começou os preparativos. Ela fez mais que ouvir; ela agiu.

Abigail não enviou simplesmente seus presentes e então esperou para ver o que acontecia. Ela assumiu a responsabilidade e saiu a caminho para encontrar Davi. Apesar de ser casada com um homem dominador e precipitado, ela não permitiu que ele esmagasse seu espírito. Não se permitiu ser vítima. Ela ainda manteve o senso de valor próprio e se prontificou a arriscar a própria vida a fim de proteger sua casa. Suas chances eram parecidas com as do jovem Davi enfrentando Golias: uma mulher com jumentos carregados de alimentos e alguns servos, indo enfrentar 400 homens armados e zangados.

Enquanto isso, Nabal, o tolo, também estava ocupado. Enquanto sua valente esposa saía para enfrentar um exército irado, ele estava em casa festejando e se embriagando.

Que ensinam os versos a seguir sobre o significado de nossas ações? Mt 7:21; 25:31-46; Tg 2:14-17

Falar pode ser fácil, mas nossos atos confirmam ou contradizem o que dizemos. Os atos de Abigail, Davi e Nabal dizem muito sobre o que eles pensavam, quem era importante para eles, e que espírito motivava seus atos.

Se alguém fosse tirar conclusões somente por seus atos sobre você e que tipo de pessoa é você, que conclusões tiraria, e por quê? O que sua resposta lhe diz sobre você mesmo?

Tempo de falar

Em um vale entre montanhas, Abigail se encontrou com as forças de Davi. Ela se curvou diante dele e o tratou como se já fosse rei.

Leia cuidadosamente o discurso de Abigail em 1 Samuel 25:23-31. Contraste com a resposta de Nabal (v. 10, 11). Qual é a diferença entre as duas?

Abigail se dirigiu a Davi como “meu senhor”. Talvez isso já servisse como lembrete a Davi de que ele deveria se comportar de maneira adequada a um rei ungido de Deus e não como chefe de um bando de saqueadores. Abigail foi capaz de promover nobreza em Davi porque não havia perdido o senso de valor próprio. Foi isso que a capacitou a ver o melhor em Davi e encorajar nele um comportamento piedoso.

Qual foi a primeira coisa que Abigail disse a Davi? O que suas palavras nos fazem recordar? O que ela tentou fazer? Êx 32:32; Et 7:2-4; Is 53:12; Dn 9:15-19; Rm 8:34

A intercessão é marcada por um denominador comum: aquele que intercede deve se identificar muito de perto com aquele por quem está intercedendo, quer o intercessor obtenha proveito na transação, quer não. A pessoa deve estar disposta a pôr de lado seus próprios interesses egoístas e pedir o que for melhor para a outra pessoa. Abigail poderia ter visto essa ameaça à vida de Nabal como um meio de se livrar de seu marido e recuperar a liberdade. Em vez disso, ela escolheu se identificar com ele e implorar por sua vida indigna.

Talvez a melhor forma de intercessão seja a oração intercessora. Oramos pelas pessoas que estão impossibilitadas ou pouco dispostas a orar por si mesmas. Temos que pôr de lado nossas próprias necessidades, carências e desejos e falar com Deus em favor dessas pessoas. Nossas orações dão a Deus o motivo para invadir fundo o território de Satanás. É quando oramos pelos outros que percebemos a imensa compaixão que Deus tem por nós. Podemos aprender a bendizer aqueles que nos maldizem e orar por aqueles que nos caluniam (Lc 6:28).

Alguém já intercedeu por você em uma situação em que você mesmo não podia cuidar de si? Como essa situação o ajudou a entender melhor o que significa que Jesus está intercedendo em nosso favor?

O que Abigail se recusou a fazer

Freqüentemente, as pessoas têm medo de uma pessoa abusiva. É comum acobertarem o abusador, mentir e fingir a fim de satisfazê-lo.

Abigail foi muito franca a respeito do marido. O que isso revela sobre ela? 1Sm 25:25, 26. Como este fato torna sua intercessão em seu favor ainda mais notável?

Embora Abigail estivesse disposta a arriscar a própria vida para salvar sua casa, ela também manteve sua integridade pessoal. Não mentiu em favor de Nabal. Ela sabia que o problema era ele, e não teve medo de dizer isso, mesmo em público.

Freqüentemente, aqueles que se encontram em um relacionamento abusivo começam a se sentir responsáveis pelas ações do abusador e se sentem culpados. Abigail não fez assim. Ela mantinha um forte senso de valor próprio. Esse senso de valor derivava de seu senso de missão. Ela não se vangloriava por haver detido Davi e levar-lhe presentes mas se considerava simplesmente um instrumento de Deus para fazer Davi mudar de idéia. Por saber quem era, Abigail estava em condições de encorajar Davi a ser tudo o que podia ser. Ela lhe lembrou que lhe cabia travar as batalhas do Senhor e não desperdiçar seu tempo e energia em busca de vingança por insultos pessoais. A observação de Abigail de que “não se ache mal” em Davi (1 Sm 25:28) era tanto uma declaração como uma advertência para que Davi não se desqualificasse para o grande ofício para o qual havia sido ungido – o de ser rei.

Abigail também lembrou a Davi que, com a vida firmemente dedicada a Deus, ele não tinha necessidade de salvar as aparências nem defender sua honra. Deus faria isso por ele.

Lembre-se, também, de que, no mundo de Abigail, nem o divórcio nem mesmo a separação eram aceitáveis para uma mulher. Do ponto de vista terreno, ela “pertenceria” a seu marido até o dia de sua morte. Porém, Abigail não considerava a vida inútil nem uma prisão permanente. Ela cria que Deus lidaria com seu marido a Seu próprio tempo.

O discurso de Abigail mostra que a sabedoria pode ser encontrada em qualquer situação da vida quando nos rendemos a Deus. A sabedoria não é uma teoria, mas um modo prático de viver e reagir aos que nos cercam.

Que significa submeter-nos completamente a Deus? Como se faz isso? Se alguém lhe dissesse: “Quero entregar-me completamente ao Senhor, mas não sei como”, o que você responderia?


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