quinta-feira, 1 de março de 2012

CULPA




CULPA: A EMOÇÃO DOLOROSA

Poucas emoções humanas são tão desgastantes e dolorosas como os sentimentos de culpa e reprovação pessoal. No auge de sua intensidade, a autocondenação tortura a mente consciente durante o dia e perturba os sonhos à noite.

            Será que toda culpa é prejudicial?

Como podemos então obter uma melhor compreensão dos nossos sentimentos de culpa?        
Como podemos separar a autocondenação destrutiva das corretas acusações feitas por Deus?

A ORIGEM DA CULPA

            O que faz uma pessoa sentir-se culpada?

            Foi feita uma pesquisa entre crianças de idades de 5 a 9 anos sobre a questão “O que é consciência?”. Uma menina de 6 anos respondeu que consciência é um lugar dentro de nós que “queima quando você não é bom”. Um garoto da mesma idade, embora declarando que não sabia, achava que tinha algo a ver com sentir-se mal quando “chutava meninas ou cachorrinhos”. E uma garota de 9 anos explicou que é a voz dentro de nós que diz “não” quando se quer fazer alguma coisa do tipo bater no irmãozinho. Esclareceu que sua consciência a “tinha salvo uma porção de vezes!”.

            Os adultos acham difícil também definir o que é consciência. Sou de opinião que o sentimento de culpa aparece quando violamos o nosso próprio código de conduta interno. A culpa é uma mensagem de desaprovação da consciência, que diz, realmente: “Você deveria estar envergonhado de si mesmo!”.

            Se a culpa transmite uma mensagem de nossa consciência, e a consciência foi criada por Deus - podemos dizer então que o sentimento de culpa contém sempre uma mensagem de desaprovação de Deus ?

            Não. Podemos afirmar que Deus não é o autor de todo e qualquer desconforto de culpa. Alguns sentimentos de culpa são nitidamente inspirados pelo Diabo e nada tem a ver com os mandamentos, valores ou juízo do Nosso Criador.

            Então pode uma pessoa sentir realmente uma reprovação esmagadora e ainda assim estar sem culpa diante de Deus?

            Sim. Exemplo quando os pais tomam o conhecimento de serem responsáveis pela criança haver nascido com algum tipo de deficiência devido a problemas genéticos - ou seja, pai e mãe contribuiu, cada qual, com determinado gene defeituoso no instante da procriação, concebendo-se assim uma criança portadora de deficiência. O impacto dessa descoberta pode ser desastroso. Alguns são tomados de um sentimento de culpa tão intenso que muitas vezes a família é levada à destruição.
            Evidentemente que Deus não é autor desse tipo de autoreprovação. Ele sabe perfeitamente - muito mais do que nós - que esses pais arrasados pela culpa não conceberam uma criança defeituosa intencionalmente. Seu sistema genético, simplesmente, não funcionou bem.
            Ou quando uma mãe se distrai, pensando em outra coisa, e se esquece do filho que atravessa a rua sem que ela perceba. Essa mãe jamais escapará da culpa resultante daquele momento. Claro que Deus não apontaria culpa alguma nessa pobre mulher com o coração partido, mas nem por será menos real seu sofrimento.

            Devemos entender que o sentimento de culpa às vezes é inspirado por Satanás?

            Sim. A segunda carta aos Corintios em 11.14 indica que Satanás se apresenta com “um anjo de luz”, o que significa que ele fala como um falso representante de Deus. Conseqüentemente, tenho observado que a culpa desmerecida é uma das armas mais  poderosas do arsenal do Diabo. Parecendo aliar-se à voz do Espírito Santo, Satanás usa a consciência para acusar, atormentar e trair suas vitimas. Que arma melhor poderia existir para o desencorajamento espiritual do a culpa que não pode ser “perdoada”, já que ela não representa uma genuína desaprovação de Deus?

            A Bíblia descreve Satanás como sendo extremamente astuto e malévolo. É um leão rugindo “em derredor, (...) procurando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8) É, de fato, uma ameaça até mesmo para aqueles que Deus elegeu e recebeu como sendo seus. Tenho observado que Satanás não desiste quando se trata de um cristão dedicado - ele simplesmente ataca de uma outra posição.

            Vimos que certas culpas não procedem do julgamento de Deus. Em outras palavras, alguém pode se sentir culpado sendo inocente diante de Deus. Mas, e o outro lado da moeda? A ausência de culpa significa que somos inocentes diante do Criados? Posso confiar em minha consciência para saber quando Deus não está satisfeito comigo?

            Nem sempre. Há muitos exemplos de pessoas más que parecem não sentir culpa alguma por suas ações.

            Entendo que a voz de desaprovação que vem de dentro de nós é uma coisa frágil em algumas pessoas. Pode ser cauterizada e ignorada, até que seu sussurro de protesto não é mais ouvido. O silenciador mais eficaz para a consciência é certamente encontrado nas opiniões seculares amplamente difundidas. Se todo mundo faz assim - raciocina-se - então isso não deve ser muito prejudicial ou pecaminoso.

            Um estudo revela que uma grande parcela dos estudantes universitários norte-americanos hoje em dia acham que é certo (ou seja, que não produz culpa) manter relacionamento sexual com alguém que se namora e “se gosta muito”. Se esses jovens “liberados” tivessem tido esse tipo de comportamento sexual há uns trinta anos atrás, a maioria provavelmente teria lidado com sentimentos de culpa e remorso. Atualmente, no entanto, eles se deixam envolver por um falso sentimento de segurança pelo fato de ser o seu comportamento socialmente aceitável. A culpa individual é, em parte, produto de atitudes coletivas e conceitos transitórios de moralidade - muito embora os padrões de Deus sejam eternos e não disponíveis a revisão ou negociação. Suas leis continuam em vigor, mesmo que o mundo inteiro as rejeite, como nos tempos de Noé.

            O que quero dizer é que a consciência humana é uma faculdade mental imperfeita. Há momentos em que nos condena por causa de erros e fragilidades difíceis de serem evitados; em outros, permanece silenciosa diante de maldades indescritíveis.

VIVENDO COM CONSCIÊNCIA

            Que devo fazer então com a minha consciência? Ignorá-la totalmente? Mas Deus não fala através dessa faculdade mental?

            Para obtermos as respostas, vamos voltar às Escrituras. Referencias diretas à consciência são feitas em numerosas passagens da Palavra:

- “Consciência fraca” - 1 Co 8.7
- “Consciência contaminada” - Tt 1.15
- “Consciência sem ofensa” - At 24.16
- “Consciência pura” - 1 Tm 3.9
- “Boa consciência” - At 23.1; Hb 13.18
- “Consciência cauterizada” - 1 Tm 4.2
- “Consciência que dá testemunho” - Rm 2.15
- “ Testemunho da nossa consciência” - Rm 2.15
- “ Indagação de uma boa consciência para com Deus” - 1 Pe 3.21

            Não podemos negar a existência da consciência ou que o Espírito Santo nos influencia através dela (Rm 9.1; Rm 2.14,15). Aí está, em termos definitivos. A consciência é realidade e o Espírito Santo faz uso dela. Por outro lado, tem-se mostrado que ocasiões há em que a consciência não é confiável. Essa contradição coloca um dilema difícil para nós como cristãos. É nosso deve separar o verdadeiro do falso, o real do imaginário, o certo do errado. Como podemos então discernir, com certeza, o agrado e o desagrado de nosso Deus amoroso, quando a voz de dentro de nós é uma tanto duvidosa?

            Para resumir, deixe-me repetir que o sentimento de culpa é importante e não pode ser ignorado. Todavia, antes de ser aceito com uma afirmativa de desaprovação divina, deve ser submetido a teste do raciocínio e da vontade.

                             O quadro a seguir demonstra esse processo:

            Faculdade Mental                   Teste
            1. Emoção                                     O que estou sentindo?
            2. Raciocínio                                 É razoável e bíblico?
            3. Vontade                                    Qual foi minha intenção?


            Quando somos realmente culpáveis diante do Deus Todo-Poderoso, a culpa será validada por todos os três “departamentos” da mente. Eles operam como uma espécie de sistema de checagem e equilíbrio - tal como as áreas dos poderes executivo, legislativo e judiciário, num regime democrático. Cada divisão interage com a atividade das outras duas, evitando assim que haja uma predominância perigosa por parte de qualquer das três.  Por outro lado, quando se dá demasiada liberdade às emoções, instala-se inevitavelmente uma ditadura interna, permitindo à culpa fluir como um rio caudaloso!

fonte: 
Emoções - Pode-se confiar nelas?
James Dobson

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