quarta-feira, 10 de abril de 2013

Maldições Hereditárias e Cura Inteior - Uma chamada a reflexão! Parte 3




Outro dia, chegou em minhas mãos um questionário que os novos convertidos de uma determinada denominação teriam que preencher. Na realidade tratava-se de um trabalho de cura interior e quebra de maldições. Sei que as intenções desses líderes “sempre” são a melhores possíveis. Só que boas intenções não bastam. Nossas ações têm que serem pautadas pela Palavra de Deus. É um absurdo esse questionário ou mapeamento para quebra de maldições ou cura interior. É uma afronta à Bíblia. É uma pena que os novos irmãos na fé tenham que se sujeitar a isso. Gastam-se tempo e energia em coisas desnecessárias.
Selecionei algumas perguntas desse questionário que continha mais de 200 perguntas:

  • Carregou velas e imagens na Igreja católica;
  • Já chutou velas no cemitério, na rua, na praia ou outros, onde? E  que fez?
  • Já mexeu, chutou, cuspiu, zombou de trabalhos feitos em algum lugar, mesmo sem querer, especifique;
  • Seus pais e avós bisavós benziam;
  • É padrinho ou madrinha de batismo?
  • Participou de festas de Cosme e Damião? Comeu: pirulito, pipoca, Maria-mole?
  • Você ou seus pais participaram de festas da região, como: folia do divino, folia de reis, etc;
  • Palavras de maldição: nunca vai ser nada, você é igual o seu pai, é um burro, nunca vai ter nada, é uma porca preguiçosa;
  • Nasceu fora da bênção da aliança (gravidez antes do casamento);
  • Você sabe a origem de seu nome?

Amados, volto a repetir. Quando aceitamos a Cristo como Senhor de nossas vidas, somo novas criaturas em Cristo Jesus. Alguns podem dizer, que tais trabalhos de Cura Interior deram “ótimos resultados” em algumas pessoas. O fato de ter dado certo em algumas pessoas, não significa que seja Bíblico ou que teve a aprovação de Deus. Há muitas coisas nos centros espíritas e terreiros de Umbanda que dão certo, mas nem por isso são bíblicas ou tem a aprovação de Deus.

Assim, o que tem de se entender é que, ao me tornar uma nova criatura em Cristo Jesus, não preciso mais voltar ao passado, rever meus traumas e lembranças. Deus não se lembra mais de meus pecados, meus erros e tudo aquilo que fiz na ignorância. Ainda que outrora eu era blasfemador, perseguidor, e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade; e a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Cristo Jesus (1 Tm 1.13-14).

           Se Deus não se lembra de meus pecados, porque eu deveria me lembrar? Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço uma coisa nova (Is 43.18-19).  Quando aceitamos a Cristo, muitas coisas são apagadas de nossa memória. Faço isso por analogia, se Deus não se lembra, também não devo me lembrar. Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro (Is 43.25).

           Veja bem, não estou falando que não devemos reparar nossos erros. Quando recebo a Cristo como meu Senhor e salvador, vou atrás do filho que neguei, devolvo o que roubei, reparo os danos que fiz e peço perdão as pessoas que injuriei, caluniei e difamei. Zaqueu após aceitar a Cristo como seu Senhor, entendeu que não bastaria só aceitá-lo, teria que consertar sua vida em todas as suas áreas. Para isso não preciso de cura interior, preciso sim de uma decisão. Decisões mudam nossas vidas. Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao Senhor: Eis aqui, Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado. Disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, porquanto também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19.8-10).

O problema das maldições hereditárias e da cura interior é que o crente arruma uma desculpa para seus fracassos. A culpa é de meus antepassados. A culpa é dos traumas, das palavras de maldições ditas contra mim.  O fato é que quando não conseguimos ter uma vida vitoriosa em Cristo, sempre tentamos ou arrumamos uma desculpa (um jeitinho!). Esse é o problema quando não queremos nos submeter à cruz de Cristo e deixar o Espírito de Deus produzir o fruto do Espírito. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio (Gl 5.22-23). 

Queremos fazer parte do Reino de Deus, porém, queremos continuar fofoqueiros, invejosos, briguentos, trapaceiros, viciados, desobedientes, pornográficos, etc. Com essa natureza não entraremos no gozo do Senhor. Pessoas assim dentro do Corpo de Cristo não precisam de cura interior ou quebra de maldições. Precisam nascer de novo. Precisam negar-se a si mesmos e irem para cruz. Eu sei que não é fácil. Quem disse que seria fácil? Exige-se também disciplina: oração e leitura da Bíblia. Sem isso não teremos vitória.

Volto a repetir, ao recebermos a Cristo como Senhor de nossas vidas, ocorre o novo nascimento do homem. Aquele velho homem morre e nasce um novo homem em Cristo Jesus. Morre junto com o velho homem tudo aquilo que nos aprisionava ao pecado e ao passado. O Novo Nascimento é a verdadeira cura interior do homem e a quebra de maldições.

O Salmista Davi no Salmo 51 clamou ao Senhor: Cria em mim, ó Deus, um coração puro

No original hebraico dessa passagem, encontramos para “criar” a palavra barah. Essa palavra hebraica é exclusiva de Deus, pois só Ele pode criar algo do nada, sem matéria prima, ou seja, do nada Ele traz algo a existência. Ele não transforma, e sim, cria. Barah também é usada na criação do mundo no livro de Gênesis. Deus não transforma um coração impuro e pecador em um coração puro e santo, ele simplesmente cria um novo coração preparado para habitação de Espírito Santo. Só Deus pode fazer isso. E, nesse momento gracioso, o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Rm 5.5). O amor de Deus nunca falha (1 Co 13.8. Deus é amor (1 Jo 4.16).

Quando Cristo torna-se nosso salvador, tornamo-nos filhos de Deus. O amor e a segurança de estarmos nos braços do Pai lança fora todo medoNo amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor (1 Jo 4.18).

Na verdade amados, a Palavra de Deus nos lembra que o amor de Cristo nos constrange (2 Co 5.14). Seu amor é tão grande que nos deixa constrangido, pois nada fizemos para merecermos seu precioso e maravilhoso amor. Seu amor é incondicional. Ele não buscou nossas qualidades para nos amar, e sim nos amou do “jeitinho” que somos, com nossos defeitos e falhas. Ele faz e fez tudo por nós. Se Cristo não nos amasse primeiro, dificilmente teríamos tempo ou disposição para perceber seu amor, afinal, nossa natureza nos leva a sermos egoístas e amantes de nós mesmos. Nunca se esqueça: Nós o amamos porque ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19).

Não queremos nascer de novo, e viramos supersticiosos, amedrontados, daí ficamos amarrando tudo. Você conhece aquela dos três toques na madeira ou da figa? È a mesma coisa. Amarram isso, amarram aquilo, amarram tudo. O problema é quando deixamos de amarrar nossa língua (por exemplo). Da boca só sai “tá amarrado”. Em tudo colocam a culpa no diabo. Na realidade, muitas dessas pessoas, vivem com suas vidas “capengas” e amarradas. A Bíblia nos ensina a expulsar os demônios em nome de Jesus (Mc 16.17) e não amarrá-los. Amados, vamos parar de dar “ibope” para o diabo. Nem tudo é o diabo em nossas vidas. Muitos de nossos tropeços e fracassos, nada tem a ver com diabo, e sim, porque deixamos de vigiar e orar.

Por outro lado, a Palavra de Deus também nos encoraja no sentido de que o diabo não tem poder para tocar em nossas vidas. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca (1 Jo 5.18). Você pode até dizer que a experiência de algumas pessoas diz ao contrário. Bem, entre a experiência de “algumas pessoas” e a Palavra de Deus, prefiro ficar com a Palavra de Deus. 

Entendemos que, onde habita o Espírito de Deus, não pode também habitar o espírito das trevas. Não existem crentes endemoninhados, existe sim, crentes que nunca nasceram de novo, ou que perderam o temor de Deus e levam uma vida secreta (oculta) em perversidade e devassidão.

Porém, se o diabo “conseguir” tocar em nossas vidas é com a permissão de Deus. Assim como foi com o seu servo Jó, assim pode ser com qualquer um de nós. Num caso assim, podemos ter a certeza que Deus mostrará a Satanás que nos submeteremos ao senhorio de Cristo sob quaisquer circunstâncias, independente de bens materiais ou saúde. A nossa alegria vem em primeiro lugar pela nossa salvação em Cristo Jesus. Repito, não sirvamos a Deus por interesse e sim porque somos gratos por nossa salvação e seu amor. Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o lixo deste mundo, e como a escória de todos (1 Co 4.11-13).

Nossa confiança em Deus é tanta, que se alguém lançar uma maldição ou uma praga contra nós, ou nossa família, não precisamos ficar preocupados, nervosos e repreendendo palavras malditas. Amados, Igreja não é centro espírita ou de macumba. No Corpo de Cristo não há lugar para superstição, medo ou misticismo. Eu te pergunto? Você é nascido de novo? Você é uma nova criatura em Cristo Jesus? A cruz faz parte de sua vida? Você tem sido para seus filhos um exemplo de homem (mulher) de Deus? Então, não precisa se preocupar, sabendo que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Os poderes das trevas não terão poder sobre os filhos de Deus (encosto, macumba, feitiçarias, pragas ditas, olho grande, maldições, etc). Não se esqueça: Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca (1 Jo 5.18).  Amados, que promessa maravilhosa: o maligno não tem poder para tocar nos nascidos de Deus. Aleluia! Confie nisso. Sirva o Senhor com alegria, sem medos. Sabendo que o Senhor tem sempre o melhor para seus filhos e nos guardará de todo o mal. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar (1 Co 10.13).

Se o homem anda na luz de Cristo, não importa se os adversários contratem o maior feiticeiro do mundo. Que coloquem nossos nomes na boca de mil sapos e clamem por todos os demônios do inferno. Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rm 8.31). Pela promessa do Pai, nada nos afetará, pois somos propriedade de Cristo, e selados pelo Espírito Santo. No qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa (Ef 1.13).

Não podemos nos esquecer que existem muitos cristãos que querem “jogar” toda a responsabilidade de sua vida cristã em seus pastores e líderes. Fazem da igreja um centro espírita, ou seja, recebem uma oração e pensam que tudo já está resolvido. Agem como se não existisse o outro lado da responsabilidade, do caminhar sozinho com Cristo. Assim são nos centros espíritas e outras vertentes do espiritismo, onde as pessoas recebem um “passe” para a solução de seus problemas e aflições, entretanto, a relação é unilateral, não se exige mudança de vida, renúncia de seus pecados e erros, basta uma “oração forte”. Filhos do Deus altíssimo escutem: Em nossa caminhada com Cristo Jesus, muitos de nossos problemas começam quando deixamos de orar e ler a Palavra de Deus, o resto é conseqüência dessa nossa negligência. Oração é intimidade com nosso Senhor e a Palavra nosso alimento diário, eis o requisito para uma vida vitoriosa com Cristo.

Finalmente, vejo que há muitos irmãos temendo pelo significado de seus nomes. 

Descobriram que seus nomes carregam maldições. Amados, não importa o nome que recebi de meus pais. Estamos em uma Nova Aliança com Deus. O nome que tenho nesta vida é o que menos importa para o Senhor. Quando fui diretor de uma Penitenciária Estadual, encontrei muitas pessoas com nomes bíblicos de Pedro, Paulo, Jesus, Moisés, Arão, Davi e outros nomes “poderosos”. Porém, na Bíblia encontramos uma pessoa de nome Apolo (significa destruidor) que  foi um homem de Deus e  poderoso nas Escrituras (At 18:24-28), e  também o de Hermes (deus mitológico)  que é um dos irmãos a quem Paulo envia suas  saudações (Rm 16:14) A Bíblia nos exorta a renunciarmos ao pecado e nunca aos nossos nomes, pois no céu teremos um novo nome.(Ap 2:17).

Para encerrar, peço perdão a todos aqueles que ministrei cura interior ou quebra de maldições. Peço a todos que me perdoem. Peço perdão a Deus, porque fiz na ignorância, levado por emoções, falsos ensinamentos e principalmente por não ter buscado a verdade nas Sagradas Escrituras. Não fui nobre como os bereanos que conferiam nas Escrituras os ensinamentos de Paulo e Silas. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim (At 17.11). Peço perdão por ter participado dessas sessões de cura interior e quebra de maldições, pois deixei de confiar na cruz de Cristo, no novo nascimento e passei a confiar em doutrinas de homens.


Livros e Sites sugeridos:

GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era.  Abba Press,

HUNT, Dave. A Sedução do Cristianismo. Chamada da Meia Noite.

PIERRAT, Alan.O Evangelho da Prosperidade. Editora Vida Nova

ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em Crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. Editora Mundo Cristão.

ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. Editora Mundo Cristão.

www.agirbrasil.com  (Agência de Informações Religiosas)

www.cacp.org.br  (Centro Apologético Cristão de Pesquisas)

www.icp.com.br  (Instituto Cristão de Pesquisas)


Calixto Antônio Fachini. (calixtofachini@hotmail.com ). É Pastor da Igreja Evangélica Jardim de Deus - IJADE (Joinville-SC) (www.ijade.com.br); Pós-graduado em Teologia pela Faculdade Luterana de Teologia-MEUC (São Bento do Sul –SC); Professor da Faculdade Teológica Refidim (Joinville-SC) e Professor do Instituto Teológico Jardim de Deus- ITEJADE (Joinville-SC). (copyright  2005)

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