quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Transtornos de Conduta Infanto-Juvenil - Como identifica-los?

O assunto é extenso e amplo, mas vale algumas informações importantes sobre o assunto.

As características de Transtorno de Conduta (infanto-juvenil) podem ser observadas desde a infância até a vida adulta. Há um padrão persistente representado por certas características comportamentais na infância e adolescência:
-  Mentiras frequentes, que às vezes ocorrem o tempo todo;
-  Crueldade com animais, coleguinhas, irmãos etc;
-  Condutas desafiadoras às figuras de autoridade (pais, professores, avós etc);
-  Impulsividade (encoleriza-se facilmente);
-  Irresponsabilidade (recusa-se a responder e dar conta por seus atos);
-  Baixa tolerância à frustração (que se mostra em acessos de irritabilidade ou fúria quando são contrariados seus desejos);
-  Tendência a culpar os outros por seus erros cometidos;
-  Preocupação excessiva com seus próprios interesses (os interesses dos outros são minimizados) não levando em conta aquilo que não lhe “pertence”;
- Insensibilidade ou frieza emocional (não se afeta com o sofrimento dos outros);
- Ausência de culpa ou remorso (não assume as culpas e não sente aflição de consciência por maus atos cometidos, não se arrependendo dos maus atos);
- Falta de empatia ou preocupação pelos sentimentos alheios (a dor de
outros ou a frustração de outros não o sensibiliza);
- Falta de constrangimento ou vergonha quando pegos mentindo ou em flagrante (não se acanha ou se embaraça quando tem conduta inadequada incontestável);
- Dificuldade em manter amizades (sempre são os outros que não o aceitam, ou que não o compreendem, quando na verdade sãos suas próprias atitudes que são antissociais);
- Permanência fora de casa por longos períodos, principalmente à noite, mesmo com a proibição dos pais (muitas vezes podem fugir e levar dias sem aparecer em casa);
- Faltas constantes na escola sem justificativas plausíveis (a seguir, quando ganhar mais idade, irá repetir o comportamento inadequado refletido nas faltas constantes ao trabalho, sem razão aceitável para isso);
- Violação às regras sociais, que se refletem em atos de vandalismo como a destruição de propriedades alheias ou danos ao patrimônio público (tendendo a considerar o que é público (de todos) como se fosse de ninguém);
- Participação em fraudes (como falsificação de documentos, por exemplo), roubos ou assaltos;
- Sexualidade exacerbada (muitas vezes levando outras crianças ao sexo forçosamente);
- Introdução precoce no mundo das drogas (inclusive álcool e maconha);
- Na sequência, com o agravamento, podem cometer assassinato inclusive o de si mesmo (suicídio).

Esses sintomas são descritos pela médica psiquiatra Ana Beatriz B. Silva em seu livro “Mentes Perigosas” [Ed. Fontanar, 224 p.] ressaltando que “deve se atentar para a frequência e intensidade que essas características se manifestam”, alertando que “o diagnóstico exato pode ser firmado por especialistas no assunto”.

Ademais, relata a médica psiquiatra, não resta dúvida de que a educação, a estrutura familiar e o ambiente social influenciam na formação da personalidade de um indivíduo e na maneira como se relaciona com o mundo. Além disso, afirma que é muito importante que mães, pais e avós tenham
conhecimento do assunto e que passem a reconhecer o Transtorno de Conduta em seus filhos e educandos, dando o devido valor que o problema merece. “Quando em grau leve e detectada ainda precocemente o transtorno pode, em alguns casos, ser moderada através de uma educação mais rigorosa. Um ambiente familiar mais estruturado e com a vigilância constante sobre os filhos ‘problemáticos’
pode inibir uma manifestação mais grave”, assevera a Dra. Ana Beatriz.

Postura de criadores

Essas medidas paliativas demandam muito esforço e empenho por parte dos envolvidos na criação.
As seguintes posturas devem ser assumidas para salvaguardar a estrutura familiar e a sociedade como um todo:
- Procure conhecer bem o seu filho. Mães, pais, avós, todos os envolvidos na criação, na maioria das vezes não sabem como ele se comporta longe dos seus olhos. Estabeleça contato com todas as pessoas do convívio dele (professores, amigos, pais de amigos etc). Quanto mais cedo você identificar o problema maiores serão as chances de que ele se molde a um estilo de vida mais produtivo e socialmente aceito.
-  Não permita que seu filho controle a situação. Estabeleça um programa de objetivos mínimos para obter alguns resultados positivos. Regras e limites são necessários para evitar as condutas de manipulação, enganos e falta de respeito com os demais. Lembre-se que uma criança com perfil psicopático apresenta um talento extraordinário em distorcer as regras estabelecidas e virar o jogo a seu favor. Seja firme! Não ceda! Se você fraquejar, certamente ela ocupará todos os “espaços” deixados pela sua fraqueza e desistência. Não tenha preguiça ou leniência em lidar com as regras estabelecidas.

Ao adotar posturas no trato do Transtorno de Conduta infanto-juvenil, pode-se melhorar a forma como o transtorno irá se manifestar no futuro. “Temos que ter sempre em mente que tal transtorno apresenta formas e graus diversos de se manifestar e que o desenvolvimento dos casos mais graves apresentam barreiras de convivência intransponíveis”, alerta a médica psiquiatra. A psicopatia diagnosticada tem um curso crônico que pode tornar-se menos evidente à medida que o indivíduo sobrevive e envelhece, a partir dos 40 anos de idade.

Convivência

O ser humano é um ser social e, por isso, necessita da convivência em sociedade. A sociedade é determinada por regras de conduta (há regras de trânsito, regras de comportamento, por exemplo) refletidas em leis, cujo cumprimento determina a sociedade. As mães e pais que não esclarecem, desde a infância, a necessidade das regras, determinantes para a “sobrevivência”, iludem a criança e o adolescente, criando um universo inexistente. Isso contribui decisivamente para que, quando precisem assumir responsabilidades (condição sine qua non da vida social) na escola, na convivência com os colegas, professores, pais, parentes, vizinhos, se achem como que oprimidos, concluindo que “o mundo mudou” para com ele, exigindo mais do que foi sendo acostumado. Assim, por isso, se acha no direito de infringir continuadamente as regras (que valem para todos) e, quando cobrados, tendem a rumar para uma violência usual, já gestada em sua impulsividade sem freios, que se tornará crescente.

Referências:
-Mentes Perigosas. Ana Beatriz B. Silva, Ed. Fontanar, 224 p.
-Pais e Filhos – a autoridade em crise, Luís Pellegrini, revista Planeta, Ed. Três outubro 2008, p. 48-51.
- omo identificar tendência à psicopatia na infância e adolescência – FSP – [http://ww1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u532974.shtml]

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